Mês de Dezembro de 2021

Mês de Dezembro de 2021

Análise do gestor

Cenário macroeconômico

O mês de dezembro é, tradicionalmente, mais tranquilo no cenário econômico e político ao redor do mundo. O grande destaque do mês no setor global ficou com o avanço da variante Ômicron da Covid-19. A princípio, essa nova mutação parece ser mais contagiosa do que as outras cepas do coronavírus, mas com letalidade menor.

No Brasil, adicionalmente, o fim de ano foi bastante impactado pelo surto de gripe, que, junto com a Covid-19, trouxe alta nas internações e hospitalizações de modo geral. Porém, novas restrições à circulação de pessoas e fechamentos do comércio parecem estar descartados no momento.

Ainda no país, outro destaque ficou, mais uma vez, com o cenário inflacionário. Em novembro, o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) ficou em 0,95%, abaixo das expectativas do mercado, mas ainda em seu maior patamar para o mês desde 2015. A expectativa de operadores do mercado é que o avanço dos preços passe da casa dos dois dígitos no consolidado de 2021.

No cenário político, o destaque fica com novas pesquisas eleitorais para a campanha presidencial de 2022, que indicam um cenário ainda bastante polarizado entre o ex-presidente Lula (PT) e o presidente Bolsonaro (PL), com favoritismo do primeiro neste momento.

No campo internacional, o foco ficou com a posse do novo chanceler alemão, Olaf Scholz, que chegou ao poder com uma plataforma política semelhante à de sua antecessora, Angela Merkel.

Ainda em meio ao acirramento de tensões com a China, os EUA, junto com a Austrália, o Canadá e o Reino Unido, anunciaram um boicote diplomático a ser realizado contra as olimpíadas de inverno de Pequim, que ocorrerão no começo de 2022. Esse é mais um capítulo de uma relação conturbada entre as duas maiores potências globais.

Por fim, na América Latina, os olhares se voltaram ao Chile, que teve sua eleição presidencial para escolher o sucessor de Sebastian Piñera. Estavam no segundo turno o candidato de esquerda Gabriel Boric e o de direita José Antonio Kast, onde o primeiro se sagrou vitorioso.

Cenário de investimentos

O Ibovespa apresentou alta de 2,85% em dezembro, resultado positivo que não acontecia desde junho. O número, contudo, ainda não apaga o fraco desempenho da bolsa brasileira no ano, com queda de 11,93%.

O resultado ruim foi aflorado após a piora das perspectivas fiscais e com os problemas macroeconômicos enfrentados pelo país, que viu o Banco Central subir a Selic de 2% ao ano para 9,25% ao ano, para tentar conter o rápido avanço da inflação.

Apesar da elevação do dólar durante todo o mês de dezembro, no último pregão do ano a moeda americana caiu de R$5,70 para R$5,58, encerrando o ano próximo das expectativas que enxergávamos para a moeda.

As curvas de juros foram mais estáveis e apresentaram leve fechamento com a perspectiva do mercado, que dominou o mês com uma Selic menor do que o previsto, em função da desaceleração gritante da atividade econômica desde o primeiro trimestre do ano.

Acreditamos que os problemas macroeconômicos ainda não foram resolvidos e que a inflação não foi contida, muito embora devamos observar uma redução dos preços no segundo semestre.

Contudo, a potencial elevação da Selic para 11,75% ao ano indica um cenário de baixo/nulo crescimento para 2022 e, somado ao processo eleitoral de outubro e a elevação de juros nos EUA, deve adicionar uma pitada de volatilidade no cenário à frente.

IndicadoresMêsAcumulado Ano
CDI0,73%4,36%
IBOV2,85%-11,93%
DÓLAR-0,70%7,39%
IFIX8,78%-2,28%
IMAB B50,74%4,52%
IMAB 5+-0,39%-6,60%
IPCA*0,72%10,05%
POUPANÇA0,47%2,96%
OURO3,13%4,43%
S&P 5004,64%27,23%

*IPCA – Projeção

Retorno dos investimentos

O aperto realizado pelo Banco Central na trajetória de elevação da SELIC já começa a ser observado na rentabilidade nominal dos investimentos atrelados ao CDI. Depois da aprovação das reformas dos últimos anos, chegamos a acreditar que a famosa rentabilidade de 1% ao mês havia ficado pra trás – mas já estamos perto desse cenário novamente.

Os fundos de renda fixa atrelados ao CDI finalmente ajustaram o impacto sofrido no auge da pandemia e voltaram ao seu carrego normal. A diferença agora começa a aparecer nos fundos com posições no exterior, caso do Ibiúna Credit e do SPX Seahawk.

A curva de juros apresentou certo aumento na sua inclinação, pesando mais nos vencimentos mais longos. Os vencimentos curtos ainda tiveram ganho com o carrego da inflação alta.

Para os multimercados, mais uma vez foi um mês de resultados divergentes. As preocupações com o aumento de casos de Covid geraram volatilidade nos juros americanos, com reflexo em diversos mercados. Destaque para os fundos long & short da Hogan e Moat.

Na renda variável, também muita divergência entre os resultados dos fundos e estratégias. As melhores performances ainda foram vistas entre os fundos que trabalham com algum tipo de hedge e/ou exposição ao exterior. Exceção aos fundos que tinham posições maiores em Tech, que sofreram mais com as variações de expectativa com os juros americanos.

InvestimentosMêsAcumulado Ano
Renda Fixa
IBIUNA CREDIT FIC MULTIMERCADO CRÉDITO PRIVADO1,10%8,35%
SPX SEAHAWK FIC RENDA FIXA CRÉDITO PRIVADO LP0,79%7,66%
ARX DENALI FIC RENDA FIXA CRÉDITO PRIVADO0,79%7,07%
SPARTA TOP FIC RENDA FIXA CRÉDITO PRIVADO LP0,78%7,45%
QUASAR ADVANTAGE FI RENDA FIXA CRÉDITO PRIVADO LP0,78%6,45%
Inflação
NTNB 20240,82%3,14%
NTNB 20350,11%-5,24%
NTNB 2045-1,46%-7,63%
Multimercados
HOGAN ABSOLUTO FI MULTIMERCADO4,38%1,86%
MOAT CAPITAL EQUITY HEDGE FIC MULTIMERCADO3,41%9,89%
GIANT SIGMA FIC MULTIMERCADO2,02%2,37%
SPX NIMITZ FEEDER FIC MULTIMERCADO1,75%11,68%
PIMCO INCOME INVESTIMENTO NO EXTERIOR FIC MULTIMERCADO1,64%4,99%
Ações
TRÍGONO FLAGSHIP 60 SMALL CAPS FIC AÇÕES9,75%42,89%
KAPITALO TARKUS FIC AÇÕES7,06%-5,02%
INDIE FIC AÇÕES3,83%-23,43%
VERDE AM MUNDI AÇÕES GLOBAIS BRL INVESTIMENTO NO EXTERIOR FIC AÇÕES3,69%17,74%
IP PARTICIPAÇÕES FIC AÇÕES BDR NÍVEL I3,39%9,23%

Estratégia ParMais para Janeiro/2022

Entramos em um ano que provavelmente será mais intenso e volátil do que experimentamos em 2021. A volatilidade não representa um risco por si só, mas nos diz que os retornos esperados das aplicações tendem a ser mais dispersos, sejam positivos ou negativos.

Uma grande diferença separa os dois anos e baliza nossa estratégia inicial: a taxa de juros. Se por um lado 2021 iniciou com a Selic em 2% ao ano, gerando uma taxa de juros real menor que a dos países europeus, 2022 começa com um juros de 9,25% ao ano com final do ciclo de alta esperado em 11,75%.

Imagine as seguintes situações hipotéticas:

2021

Alocação:
70% Renda fixa – 100% CDI – 4,35%
30% Renda variável – -12%

Resultado da carteira: -0,55%

2022

Alocação:
70% Renda fixa – 100% CDI – 11,50%
30% Renda variável – -12%

Resultado da carteira: 4,45%

Não vamos alocar nenhuma carteira nesses percentuais, mas a simples simulação nos mostra que o CDI volta a ser um bom “colchão” de segurança para todas as carteiras, inclusive para aquelas que desejam tomar mais riscos, mesmo que o desempenho fraco do Ibovespa se repita em 2022.

Dessa forma, intensificamos desde o terceiro trimestre de 2021 as alocações em pós-fixados, capturando os prêmios de fechamento nos spreads de crédito e mirando este colchão maior para o próximo ano, movimento que segue norteando nossas alocações.

Além disso, ao longo do quarto trimestre de 2021 aumentamos nossa exposição aos títulos e fundos de inflação curta, trocando parte do caixa em CDI, nas carteiras administradas e nos fundos, por IPCA, gerando um carrego (retorno) maior que o benchmark da renda fixa, dado ao avanço da inflação.

No Ibovespa, a despeito da volatilidade que esperamos para o ano, enxergamos com bons olhos o valuation atual da bolsa brasileira. O cenário macro tende a continuar instável, com inflação presente, atividade econômica fraca, elevação de juros e renda comprometida. Entretanto, alguns setores tendem a performar melhor nesses cenários, como o consumo de alta renda, empresas com receitas dolarizadas, commodities e bancos. Em geral, são para esses setores que temos maior apreço e olhamos para os gestores fundamentalistas que se enquadram nessas posições.

Ainda esperamos um bom desempenho das bolsas americanas dado o número de empresas consolidadas e com grandes mercados endereçáveis, portanto, estamos aumentando nossas posições de exterior, priorizando os fundos com hedge cambial, que com o CDI mais alto, levam uma ligeira vantagem na rentabilidade frente aqueles que se expõe diretamente ao câmbio.

Já nos multimercados, a redução de alocação permanece em pauta e estamos tirando ainda mais peso da classe, movimento iniciado em 2021.

Dentre as classes, evitaremos os Long Short, que tendem a não entregar retorno nos cenários de alta volatilidade como esperamos. Seguimos com alocações quantitativas por enxergar uma excelente mensuração de risco dentro dos portfólios e com alta capacidade de adaptação aos cenários e escolhemos com cuidado redobrado os gestores macro do nosso portfólio, dado a dificuldade que a classe encontra em cenário de alta de juros e instabilidade macroeconômica.

Nesse caso, retorno passado não é garantia de retorno futuro, mas possuir histórico e equipe, especialmente no Brasil e para os multimercados macro, passando por cenários adversos e positivos, geram uma grande confiança sobre a qualidade do trabalho e capacidade de ser vencedor no longo prazo.

Histórico